terça-feira, 28 de abril de 2009

O caçador de pipas




















Amir (quando jovem interpretado por Zekiria Ebrahim e, quando adulto, vivido por Khalid Abdalla) é um menino tímido, que gosta de escrever histórias e foge de encrencas. Seu melhor –e único- amigo é Hassan (Ahmad Khan Mahmoodzada), filho do empregado de seu pai, que o protege e dedica a ele idolatria total. O passatempo preferido da dupla é empinar pipas, e Hassan tem um dom especial para encontrá-las, quando cortadas, antes das outras crianças. Enquanto uma dúzia de garotos correm pelas ruas de Cabul seguindo as pipas coloridas, Hassan já sabe exatamente onde cada uma delas cairá. E lá aguarda, confiante.

Mas é justamente em um torneio de pipas que a amizade dos dois toma um rumo diferente. Hassan vai sozinho atrás de uma pipa e acaba sendo encurralado por meninos que, por preconceito com sua etnia, o violentam. Amir assiste a tudo, escondido e com medo de intervir. Só que, mais tarde, passa a ser torturado pela culpa e o arrependimento, e não tolera mais a presença do amigo.

















Os dois se afastam, magoados, mas têm de enfrentar problemas mais graves quando a União Soviética invade o Afeganistão e, depois, quando o Talebã domina o país. Amir e seu pai são obrigados a fugir do país e a reconstruir a vida como refugiados nos Estados Unidos. Lá, Amir vira adulto, faz faculdade e se apaixona. Mas a vida, que parecia ter ficado na calmaria, muda novamente de rumos, e ele terá de voltar a Cabul para encarar seu passado. As filmagens de “O caçador de pipas” foram realizadas na China ocidental, lugar com cenários naturalmente semelhantes aos do Afeganistão. Os diálogos da primeira fase, quando os personagens ainda são crianças, são todos em dari, uma das duas principais línguas do país. Tudo isso atrai veracidade e sensibilidade ao longa, que, no entanto, não consegue atingir o mesmo nível dramático do livro. Apesar disso, o diretor Marc Forster merece reconhecimento pelo lindo trabalho que fez na seqüência em que os meninos participam do torneio de pipas, levando o espectador a passear por um céu colorido de papel de seda e, ao mesmo tempo, por um amontoado de lajes e casebres, numa visão panorâmica de Cabul.

Adaptação

Na transposição do livro para o cinema, “O caçador de pipas” perdeu parte de seus dramas mais pesados –talvez até para evitar problemas e alta classificação indicativa. Uma das seqüências mais sofridas do livro, vivida pelo filho de Hassan, foi eliminada da história no longa-metragem. Para facilitar, as passagens de tempo também foram diminuídas, já que o livro abrange um período de cerca de 30 anos na vida do protagonista. “O roteiro enxuga a narrativa do livro. Ele incorpora quase tudo que a história conta, mas simplifica a cronologia”, explica o roteirista David Benioff.

Polêmica











As filmagens de “O caçador de pipas” foram cercadas de problemas e polêmicas. Quatro das crianças que participaram do longa tiveram de deixar o Afeganistão devido a preocupações com segurança, anunciou em dezembro o estúdio.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O que é cegueira em nossa sociedade ?

Cegueira em nossa sociedade é como um vírus que se multiplica. A cada dia que passa as pessoas tornam-se mais cegas. Somos cegos por não perceber as calamidades e enganações sobre o mundo, somos cegos por não ver que o próximo necessita de ajuda e nem sequer abrimos os olhos para ver o que acontece. Nossa sociedade é um caos, somos cegos e nem percebemos! Não damos valor uns aos outros e nos tratamos como animais selvagens querendo ter poder sob o outro.
Sim, a sociedade é cega, nosso modo de agir é cego, nossa vida é cega. E o que somos? Somos os cegos do mundo!

Thais Pereira-17

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ensaio sobre a cegueira




















O filme começa num ritmo acelerado, com um homem que perde a visão de um instante para o outro enquanto dirige de casa para o trabalho e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assustadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra - sua esposa, seu médico, até mesmo o aparentemente bom samaritano que lhe oferece carona para casa terá o mesmo destino. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranóia contagiam a cidade. As novas vítimas da "cegueira branca" são cercadas e colocadas em quarentena num hospício caindo aos pedaços, onde qualquer semelhança com a vida cotidiana começa a desaparecer.Dentro do hospital isolado, no entanto, há uma testemunha ocular secreta: uma mulher (JULIANNE MOORE, quatro vezes indicada ao Oscar) que não foi contagiada, mas finge estar cega para ficar ao lado de seu amado marido (MARK RUFFALO). Armada com uma coragem cada vez maior, ela será a líder de uma improvisada família de sete pessoas que sai em uma jornada, atravessando o horror e o amor, a depravação e a incerteza, com o objetivo de fugir do hospital e seguir pela cidade devastada, onde eles buscam uma esperança.A jornada da família lança luz tanto sobre a perigosa fragilidade da sociedade como também no exasperador espírito de humanidade. O elenco conta com: Julianne Moore (Longe do Paraíso, As Horas), Mark Ruffalo (Zodíaco, Traídos Pelo Destino), Alice Braga (Eu Sou a Lenda, Cidade de Deus), Yusuke Iseya (Sukiyaki Western Django, Kakuto) Yoshino Kimura (Sukiyaki Western Django, Semishigure), Don McKellar (Monkey Warfare, Childstar), Maury Chaykin (Verdade Nua, Adorável Julia), Danny Glover (Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho, A Cor Púrpura) e Gael García Bernal (Babel, Diários de Motocicleta, E Sua Mãe Também).



















O romance nos mostra o desmoronar completo da sociedade que, por causa da cegueira, perde tudo aquilo que considera como civilização e, (tal como em A Peste, de Albert Camus) mais que comentar as facetas básicas da natureza humana à medida que elas emergem numa crise de epidemia, Ensaio sobre a cegueira mostra a profunda humanidade dos que são obrigados a confiar uns nos outros quando os seus sentidos físicos os deixam. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas também das suas vidas espirituais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.




































http://www.ensaiosobreacegueirafilme.com.br/main.php
http://http//pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio_sobre_a_Cegueira
http://www.cinepop.com.br/filmes/ensaiosobrecegueira.htm

sexta-feira, 6 de março de 2009

Diários de Motocicleta




exibição no cineclube zezinho dias 09 (manhã) e 12 (tarde).


Em 1952, dois jovens argentinos decidem se aventurar numa viagem de descobrimento pela complexa geografia física e humana da América Latina.
O meio de transporte: uma velha motocicleta Norton 500, ano 1939, conhecida como "La Poderosa".
O piloto: Alberto Granado, 29 anos, um bioquímico que se auto-define como "cientista vagabundo".
O co-piloto: Ernesto Guevara de la Serna, 23 anos, "El Fuser", estudante de medicina especialista em lepra, prestes a se formar.
O plano de viagem: percorrer oito mil quilômetros em quatro meses.
O objetivo: desvendar um continente, a América Latina, conhecida apenas pelos livros.
A rota: de Buenos Aires até a Patagônia, cruzando a Cordilheira dos Andes para chegar ao sul do Chile, atravessando o país até entrar no Peru, para depois conhecer Cuzco e Machu Picchu, e finalmente trabalhar no Leprosário de San Pablo, na Amazônia peruana.
Destino final: a península de Guajira, na Venezuela.
O que começa como uma aventura muda pouco a pouco de forma. O confronto com a realidade social e política da América Latina passa a alterar a percepção que os dois viajantes têm do mundo. Na primeira grande viagem de suas vidas, eles se deparam com as raízes profundas de um continente. A experiência vivida em um ano formativo de suas vidas vai resultar no despertar de novas vocações, associadas ao desejo de justiça social.
Baseado nos diários de Ernesto Guevara e de Alberto Granado, o filme narra a história de uma viagem iniciática no coração da identidade latino-americana.




Quando Robert Redford e Michael Nozik me convidaram para dirigir o projeto Diários de Motocicleta, eu já havia lido e relido o relato de Ernesto Guevara sobre sua primeira viagem através da América Latina com seu amigo Alberto Granado mas nunca pensei em fazer uma adaptação cinematográfica de um livro tão seminal.

Na capa da tradução em inglês havia uma citação que dizia: "O encontro de On the Road com das Kapital". Eu não me sentia preparado para lidar com um assunto tão amplo. Então, antes de iniciar, decidimos fazer um longo processo de pesquisa que acabou nos levando diversas vezes, no período de dois anos, a Argentina, Chile, Peru e Cuba.

Em Havana, tivemos a oportunidade de conhecer Alberto Granado, que em 1999 era um jovem de 80 anos, e o privilégio de conversar com a família Guevara. Sem esses encontros, este filme não existiria.

Foi Granado, um homem com uma memória extraordinária - e humor - que nos deu a informação decisiva que nutriria o roteiro de Jose Rivera. "Em 1952, eu tinha 29 anos e Ernesto, 23. Como a maioria dos argentinos daquela época, nós sabíamos mais sobre gregos e os fenícios do que sobre os incas e a América Latina. Não sabíamos realmente onde ficava Machu Picchu."

Isso definiu o curso que o filme tomaria. A história da busca de dois jovens para desvendar um continente desconhecido - antes do advento da televisão e da informação globalizada. Igualmente importante seria a história da cristalização da identidade dos jovens durante o processo.

"Inicialmente, a viagem era uma aventura, mas pouco a pouco Ernesto e Alberto descobriram a realidade social e política do continente em que viviam, e isso muda completamente o tom da jornada e quem eles viriam a se tornar", falou-nos o diretor do Centro de Estudos Ernesto Che Guevara em Havana.

Esta seria "un viaje iniciático", como se diria em espanhol. Um rito de passagem. Oito meses da vida de dois jovens que ao se separarem na Venezuela, no extremo do continente, não eram mais os mesmos que haviam iniciado a viagem na Argentina.

"Esta é uma história sobre Ernesto antes de se tornar El Che", também nos disse seu filho Camilo. Isto é essencial para compreender o filme. Diários de Motocicleta é a primeira viagem de Guevara pelo continente latino-americano. Ele ainda era um estudante de medicina especializando-se em leprologia quando, em 1952, subiu na garupa de Alberto Granado, na moto apelidada de "La Poderosa", uma Norton 500, de 1939. Foi apenas no final da segunda viagem pela América Latina que ele conheceu Raul e Fidel Castro, no México. Diários de Motocicleta acontece dois anos antes desse encontro e sete anos antes da vitória da Revolução Cubana, ocorrida em 1959.

Jose Rivera estava ciente disso quando escreveu o roteiro do filme, de forma que ele nunca deixa o jovem ser confundido com sua futura imagem mítica. Jose estava mais interessado em revelar o lado humano dos dois personagens singulares. Ele tentou olhar os dois jovens do modo como eles deviam ter sido, naquele momento e naquela época. Ele também buscou o humor tão vitalmente presente no diário de Guevara, e também no relato de Granado sobre a viagem. Ainda mais importante, acrescentou aspectos de gravidade conforme os dois viajantes aprofundam-se cada vez mais na jornada, semelhante ao roteiro de Ettore Scola para Il Sorpasso.

Para retratar o jovem Ernesto convidamos aquele que considero um dos mais raros e talentosos atores de sua geração: Gael Garcia Bernal. Isso aconteceu há três anos, depois de Amores Brutos (Amore Perros) e antes do lançamento de Y Tu Mama Tambien. Gael foi mais que um ator nesta jornada; foi um dos principais catalisadores de nossa aventura cinematográfica. Pesquisou incansavelmente para o papel durante meses. Fazia-nos ir em frente quando estávamos exaustos. Estava sempre inspirado, sempre disposto a tentar caminhos diferentes. E, como Ernesto, ele também estava pronto para cruzar o Rio Amazonas a nado - contra a corrente.

Foram realizadas sessões para escolha do elenco por toda a América Latina, o que nos trouxe a possibilidade de descobrir uma geração extraordinária de jovens atores argentinos, chilenos e peruanos. Talvez por serem as crianças da era pós-ditatorial do continente, por terem sido criadas em sociedades mais livres, diferente daquelas governadas pelo regime militar nos anos 1970, eles floresceram com a volta da democracia.

Uma das grandes revelações das sessões de elenco conduzidas por Walter Rippel foi Rodrigo de la Serna, que interpreta Granado no filme. "A semelhança física com o jovem Alberto é impressionante, mas este não foi o motivo pelo qual o escolhemos. Acho que Rodrigo é um jovem ator na tradição de grandes astros italianos como Vittorio Gassman e Alberto Sordi. Está sempre pronto a nos surpreender, misturando humor e drama de um modo único. Havia também uma incrível coincidência, que eu soube somente após tê-lo escalado: Rodrigo de la Serna é primo em segundo grau de Ernesto Guevara de la Serna."

Junto com o cinegrafista Eric Guatier, optamos pela simplicidade do formato super-16, mesclado com algumas poucas imagens feitas durante a noite em 35 mm. Também optamos por uma linguagem simples e direta para contar esta história. A maior parte do tempo, procurei evitar a imposição do "mise en scene", tentando me deixar levar pelo que estávamos encontrando na estrada, e não impor idéias pré-concebidas.

Para fazer este filme, atores e técnicos vieram de vários lugares, mas principalmente da Argentina, Chile, Peru e Brasil (Recuso-me a escrever o nome do meu país com 'Z'). Algumas vezes éramos só quinze, como quando filmamos em Cuzco e em Machu Picchu. Algumas vezes éramos mais de oitenta, como nas filmagens na colônia de leprosos em San Pablo, no Amazonas. Estávamos cientes das diferenças culturais e nem sempre tínhamos a mesma opinião. Mas, no fim das contas, eu acho que todos nós compreendemos o que Ernesto quis dizer quando concluiu seu diário dizendo que nós, latino americanos, somos parte de uma única raça, parte do mesmo continente - do México ao estreito de Magalhães.

Enquanto escrevo as últimas palavras destas notas, muitas imagens surgem à minha mente. Será que o filme conseguirá trazer de volta algumas das imagens do livro? Eu não sei, e não sou eu quem pode julgar. Só posso esperar que as discussões resultantes do filme gerem um debate interessante cujo foco seja a América Latina.



***

Algumas observações sobre o trabalho com Robert Redford e Michael Nozik:

Para mim, é difícil ser objetivo quando falo sobre Robert Redford. Sua inteligência como ator e sua sensibilidade como diretor sempre me impressionaram. Mas há mais do que isso. Ele também é um homem que apóia o cinema independente através do Instituto Sundance. Os seminários conduzidos pelo Sundance na Argentina, no Brasil (e também em Cuba) tornaram-se vitais para o cinema latino-americano. Se o roteiro de Central do Brasil não tivesse sido premiado com o Sundance-NHK em 1996, o filme provavelmente não existiria.

Redford e seu amigo e produtor Michael Nozik eram as únicas pessoas em quem eu podia confiar para levar adiante um projeto tão delicado do ponto de vista político como Diários de Motocicleta. Eles sempre lutaram pelo que eu acredito ser o lado justo da arena política. Eles compreenderam o que esta viagem significou para os latino-americanos. Prontamente concordaram que a única forma de fazer este filme seria em espanhol e não em inglês. Estavam sempre dando apoio e inspiração e toleraram minha angústia em muitos momentos difíceis da jornada.

Eu também gostaria de mencionar o nome de algumas outras pessoas que tornaram este filme possível. Gianni Mina, o respeitado jornalista italiano e documentarista que foi a primeira pessoa a publicar "The Motorcycle Diaries". Ele foi o supervisor criativo do projeto e suas sugestões foram fundamentais para o roteiro de Jose Rivera. Rebecca Yeldham, nossa produtora executiva, que desenvolveu este projeto na FilmFour e foi umas das melhores companheiras de viagem e de inspiração que nós podíamos sonhar em ter conosco nesta jornada. Paul Webster, que acreditou no projeto desde o início na FilmFour. E Tessa Ross, que continuou acreditando nele. Os produtores Karen Tenkhoff e Edgard Tenenbaum, que estiveram envolvidos no filme do início até o final. Carlos Conti, nosso inesquecível desenhista de produção, e muitos outros...

E por fim, mas não menos importante, gostaria de mencionar o nome de um mestre que teve a generosidade de se encontrar comigo mais de uma vez para falar sobre o projeto: Ettore Scola. Ele deu excelentes sugestões para o andamento do projeto e eu não poderia ser mais agradecido a ele por isso.

Na maior parte do tempo, não me sentia merecedor de estar fazendo este filme. Este grupo único de pessoas fez tudo valer a pena.


Walter Salles



Alberto Granado, companheiro de viagem de Ernesto "Che" Guevara na viagem retratada em Diários de Motocicleta, visitou o set de filmagem durante a produção do filme. Granado tem 81 anos e mora com a mulher e os filhos em Havana, Cuba. Tivemos a sorte de ter a oportunidade de conversar com ele sobre a experiência de ver suas aventuras da juventude sendo transformadas em filme:


P: Como se sente em relação ao fato de um filme estar sendo feito sobre sua viagem com Ernesto?

Sinto-me bastante surpreso. Quem poderia imaginar que a viagem de dois jovens para descobrir a América Latina chegaria a isso? É claro que você tem que levar em consideração que tanto Ernesto como eu sempre vivemos de forma consistente com nossas convicções e, quase sempre, fizemos o que acreditávamos que devíamos fazer, cada um a seu jeito. Então, eu acho que sim, que talvez possa entender porque um filme seja feito. Eu nunca pensei, mas já vivenciei muitas coisas inesperadas na minha vida.

P: Como é voltar aos lugares por onde passou com Ernesto?

(Risos) Sempre digo a mim mesmo que tenho um coração à prova de ferrugem, capaz de agüentar todo tipo de emoção. Mas confesso que houve momentos em que cheguei às lágrimas, especialmente ao me lembrar das pessoas idosas, dos idosos doentes, que eram crianças de nove e dez anos quando passamos por lá. Então me sinto feliz e grato à vida, por todas as coisas que ela me deu.

P: E o que pode dizer sobre Walter Salles?

Sobre Walter? Posso dizer que estou impressionado. Impressionado com sua capacidade, com sua integridade, com sua tenacidade. Com a maneira com que repetia cena após cena - que para mim pareciam perfeitas mas que ele sabia que poderiam melhorar - até que conseguisse exatamente o que queria. Acho que tivemos muita sorte de ter um diretor de tão alta qualidade.

P: Ficou emocionado quando viu a motocicleta no filme?

(Risos) Sim, fiquei. Ela era encantadora também. Acho que Walter Salles fez um ótimo trabalho na cena em que nos despedimos da moto. Um trabalho tão bom que fiquei tão emocionado quanto fiquei há 50 anos, como se a estivesse abandonando agora, pobrezinha, embrulhada em seu manto. Houve dois momentos no filme em que chorei: um foi quando me despedi da moto e o outro foi quando cruzei o Amazonas.

P: Consegue ainda se lembrar da viagem real?

Sim, eu me lembro. Vivenciei muitas coincidências a este respeito. Passo por lugares que me lembram desse ou daquele detalhe da viagem. Vejo um homem e ele me lembra alguém que conheci na viagem. Vivo uma aventura e ela me faz lembrar alguma pela qual vivi durante a viagem. Então, quase todo dia tem alguma coisa que me faz lembrar. E além disso, ela faz parte da personalidade de Ernesto, não é? Porque para entender Che Guevara mais inteiramente, e não apenas através de seus discursos e de sua vida política, você também precisa saber algo sobre sua formação, sobre como cresceu, sobre suas viagens. Tudo isso me ajuda a nunca esquecer a viagem.

P: Quais são suas melhores lembranças da viagem?

Bem, são muitas. Mas para mim a parte mais emocionante foi em San Pablo, quando os leprosos vieram se despedir de nós. Eles chegaram em um barco onde os doentes estavam separados dos sadios. Era um dia chuvoso. Nunca vou me esquecer. Os pacientes chegaram tocando música, dando adeus e nos dizendo que os havíamos tratado como gente normal e que eles jamais se esqueceriam disso. Ficamos tão emocionados com aquilo que mal conseguíamos falar. Só lamento não ter podido tirar uma foto, porque estava chuviscando e não tinha luz suficiente. Tenho muitas recordações emocionantes mas esta eu nunca vou esquecer por causa do local, do dia, da hora e tudo o mais.

P: Ainda dirige motocicletas?

Não. Já não me permitem mais. Outro dia Gael me levou para dar uma volta e fui o co-piloto. Mas não o piloto. 80 anos é muita idade para se dirigir uma motocicleta. (Risos)

fonte: http://filmes.net/diariosdemotocicleta/#

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Kiriku e a Feiticeira





Kiriku é um garoto pequeno, mas muito inteligente e com dons especiais, que nasceu com a missão de salvar sua aldeia. A cruel feiticeira Karaba secou a fonte do lugar onde Kiriku mora com amigos e parentes e, possivelmente, comeu o pai e os tios do menino. Encontrando amigos e seres fantásticos pelo caminho, Kiriku vai resolver a situação. História baseada em uma lenda da África Ocidental.

Uma história que celebra a coragem, a curiosidade e a astúcia sobre uma comunidade subjugada por uma terrível feiticeira.
Kiriku aprende em sua luta que a origem de tanta maldade é o sofrimento e só a verdade, o amor, a generosidade e a tolerância, aliados à inteligência, são capazes de vencer a dor e as diferenças.
Um desenho animado moderno que fala a língua das crianças sem subestimar a inteligência dos adultos.



Gênero Animação
Atores Vozes:, Theo Sebeko, Antoinette Kellermann, Fezele Mpeka, Kombisile Sangweni, Mabutho Sithole,
Direção Michel Ocelot,
Idioma Português, Francês,
Legendas : Português,
Ano de produção :1998
País de produção: França, Bélgica, Luxemburgo,
Duração 74 min.
Distribuição Paulinas Multimídia
Região Multizonal
Áudio Dolby Estereo, Dolby Digital 5.1 (Francês, Português)
Vídeo Widescreen
Cor Colorido

seta3.gif (99 bytes) Curiosidades

- O diretor do filme, Michel Ocelot, passou parte da infância na Guiné, onde conheceu a lenda de Kiriku.

- Para compôr as canções do filme apenas foram utilizados instrumentos tradicionais da África, como balafon, ritti, cora, xalam, tokho, sabaar e o belon.

- Na versão original do filme, falada em francês, as vozes dos personagens foram feitas por atores africanos.

- Seguido por Kirikou 2 - Os Animais Selvagens (2005).

A música do filme foi composta por Youssou N`Dour, um conhecido músico
africano que mora em Dacar, capital do Senagal. Nas canções, só foram
usados instrumentos tradicionais da África como balafon, ritti, cora,
xalam, tokho, sabaar e o belon

fonte : adoro cinema

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cartola






A história de um dos compositores mais importantes da música brasileira. A história do samba a partir de um dos seus expoentes mais nobres. Utilizando linguagem fragmentada, CARTOLA traça um painel da formação cultural do Brasil, convidando a uma reflexão na construção da memória deste país. O retrato de um homem que se reconstruia com seu tempo.


LANÇAMENTO

2007-04-06
exibido no cine zezinho em 20/02/2009

DIREÇÃO
Lírio Ferreira, Hílton Lacerda
CO-PRODUÇÃO
Globo Filmes, Raccord Produções
DISTRIBUIÇÃO
RioFilme
ELENCO
Marcos Paulo Simião . . . Cartola (criança)
FICHA TÉCNICA
Produção Executiva: Clélia Bessa
Diretor de Fotografia: Aloysio Raolino
Montagem: Mair Tavares
Direção de Arte: Claudio do Amaral Peixoto
Figurino: Rô Nascimento
Roteiro: Lírio Ferreira, Hílton Lacerda
Edição de Som: Aurélio Dias, Maria Byington
Mixagem: Roberto Leite, Aurélio Dias
Concepção gráfica: Tecnopop
Consultoria: Elton Medeiros
Produtores: Clélia Bessa, Hilton Kauffmann
Som Direto: Valéria Ferro

fonte : Globo filmes




. Leia a entrevista com os diretores Lírio Ferreira e Hilton Lacerda.


"Cartola" tem a ousadia de ser simples, cronológico, sofisticado e poético. É um filme que se aproxima do seu principal objeto, o compositor e sambista, que, sem ser letrado, fez canções e versos dignos de um imortal. Cartola, um artista do subúrbio carioca cuja obra é uma ponte cultural que liga um país dividido socialmente, empresta a biografia para os diretores Hilton Lacerda e Lírio Ferreira contarem, sobre um ângulo original, parte da história da Mangueira, do Rio e da nossa música do século passado. As imagens de arquivos resgatam longas-metragens, reportagens e entrevistas nas quais o sambista e o samba são os focos. O testemunhal é composto de pessoas que conviveram com Cartola e outras que fazem parte do cotidiano da comunidade da Mangueira, além de críticos, de historiadores, de cantores, de músicos e de compositores.

O pernambucano Lírio Ferreira, autor de dois longas-metragens de ficção, volta a trabalhar, ao lado de Hilton Lacerda, com a linguagem mais documental em “Cartola”, filme que recria as emoções e a história do compositor mangueirense. Lírio é o diretor dos premiados “Baile perfumado” e “Árido Movie”. Já Hilton Lacerda, que participou de perto do processo de renovação do cinema pernambucano dos últimos dez anos, assina, com o amigo Lírio Ferreira, a sua obra mais autoral. “Cartola” é o primeiro longa-metragem do diretor. Ele é o roteirista de “Baile Perfumado”, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, e “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis.

Um pouquinho da história...
Cartola, carioca do Catete, nasceu no em 11 de outubro de 1908, o mesmo ano em que morreu outro gênio da arte nacional, Machado de Assis. Depois de viver durante três anos em Laranjeiras, saiu da Zona Sul e foi morar na Mangueira aos 11 anos. O bairro classe média e o morro deram régua e compasso para os versos e as canções do compositor.
Até os 15 anos, Cartola viveu com a família e freqüentou escolas de ensino clássicas. Com a morte da mãe, deixou as duas instituições e passou a ter lições de boemia.

O apelido Cartola de Angenor de Oliveira nasceu no canteiro de obra. Como pedreiro, o compositor usava sempre um chapéu para impedir que o cimento sujasse a cabeça. Fundou em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, o Bloco dos Arengueiros. Era a semente da G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, que surgiu em 28 de abril de 1928 da fusão desse e de outros blocos da região. O próprio Cartola escolheu o nome e as cores da agremiação.

A estréia da Verde e Rosa na avenida foi embalada pelo o primeiro samba com a assinatura de Angenor de Oliveira. Era “Chega de Demanda”, composto em 1928 e só gravado por Cartola em 1974, no LP “História das escolas de samba: Mangueira”. Em 1931, o nome do compositor chega em outros territórios. Na década de 60, já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Dona Zica, eles fizeram uma pequena “revolução” gastronômica e musical na cidade. Depois, em 1964, a matriz do samba mudou de endereço para o restaurante Zicartola, na Rua da Carioca. A casa fez história com a cozinha comandada por Zica, que ajudava na inspiração de grandes sambistas do morro e de jovens compositores da geração pós bossa-nova.

Só na Terceira Idade, aos 66 anos, o mestre gravou seu primeiro LP, “Cartola”. O disco conquistou vários prêmios. Dois anos depois, lançou o segundo com o mesmo título do anterior. O sambista ganhou destaque na TV em 1977: a Rede Globo exibiu um programa “Brasil Especial” dedicado a Cartola. Audiência era crescente na tela e no palco. Em setembro do mesmo ano, lançou o terceiro disco-solo: “Cartola – Verde que te quero rosa”.
O quarto LP (“Cartola – 70 anos”) chega ao mercado em 1979. Aos 70 anos é diagnosticado um câncer no compositor. Cartola morre vítima da doença, em 30 de novembro de 1980.

Entre composições próprias e de parceiras, Cartola deixou mais de 500 obras.

Entrevista concedida a Flávia Tenório

Cartola tem a assinatura de dois diretores. Foi difícil dirigir o filme em dupla?
Lírio Ferreira: O cinema nasceu da arte de dois irmãos. Esse projeto dá seqüência a isso (risos). O filme surgiu com a concepção de uma dupla. Começou, em 1998, comigo e com o Paulo Caldas. O Paulo saiu do projeto e entrou o Hilton.
Hilton Lacerda: Inicialmente, o projeto previa a realização de um docudrama. Não gosto da expressão e nem desse estilo de cinema. Houve uma mudança e eu e Lírio Ferreira avançamos para outro caminho.

E como foi a evolução do projeto nesses oito anos?
Hilton: Primeiro, a gente não queria que o personagem pautasse a narrativa. A intenção seria mostrar uma parte da história do país, desde o início do Brasil República até a abertura política. Mas essa mensagem política acabou ficando subliminar. Tínhamos também o desafio formal de elaborar um filme fragmentado que não fosse hermético e que tivesse uma cronologia. Não queríamos um filme careta, mas um que fizesse o público refletir.

O próprio Cartola se transformou no principal narrador da sua história. Por que essa opção?
Hilton: Cartola nasceu no mesmo ano que Machado de Assis morreu. Essa ligação ajudou a reforçar a idéia de uma narrativa póstuma. O filme começa e termina com cenas do enterro do compositor que passa a narrar sua trajetória. Nessa seqüência inicial, usamos cenas de "Brás Cubas", de Bressane, junto com as imagens reais do sepultamento.

A narrativa de Cartola não segue uma receita tradicional...
Lírio: Há uma série de formas de se ler a história de Cartola. Os livros apresentam as suas e o cinema pode extrapolar isso. Fizemos uma nova leitura. Não é um olhar naturalista sobre essa história. Mas “Cartola” também dialoga com ‘o velho’: por exemplo, é um filme baseado em forte pesquisa e tem uma montagem tradicional. É um ‘velho filme’ sobre um grande mestre

O início já deixa claro que "cartola" é um filme com várias camadas. É um caminho para falar com platéias distintas?
Hilton: É. Trabalhamos em vários níveis. "Cartola" é um filme que fala com vários públicos. Uma pessoa com conhecimento de cinema terá uma percepção diferente da maioria. Mas o público em geral vai sair do cinema conhecendo a história do compositor.

Nelson Sargento é uma figura muito presente no filme. Por que essa escolha?
Lírio: Nelson Sargento, além de ter convivido e acompanhado de perto a vida de Cartola, foi seu discípulo e pode ser considerado seu sucessor. Outra participação importante é a de Elton Medeiros que foi o consultor da produção.

Seria muito correto classificar “Cartola” de um simples documentário...
Lírio: Realmente... Cartola é um filme. Por mais que seja fiel a história do compositor, ele vai além. São as possibilidades que o cinema dá.

fonte : Revista Raiz